TORNEIOS AMADORES DE ESPORTS: PARA UNS O FOCO É O MEIO COMPETITIVO, PARA OUTROS A SAÚDE MENTAL

As atléticas de Rondonópolis criaram o e-tora, um evento beneficente que está trazendo muitos vantagens para os jogadores participantes

TORNEIOS AMADORES DE ESPORTS: PARA UNS O FOCO É O MEIO COMPETITIVO, PARA OUTROS A SAÚDE MENTAL

Polygon

O cenário competitivo é algo almejado por muitas pessoas, e eventualmente organizações ou até mesmo grupos de amigos realizam eventos esportivos com o intuito de trazer essa realidade para mais perto dos que sonham um dia ser um pro player. Seguindo essa iniciativa temos como exemplo um grupo de Atléticas das faculdades da cidade de Rondonópolis – MT que criaram um evento intitulado e-Tora (Torneio Rondonopolitano das Atléticas) que já está na segunda edição e traz competição nas modalidades de Console (Street Fighter, Just Dance e FIFA) e Computador (LOL, CS e Dota 2).

e-Tora junta esports e caridade

O evento de esportes eletrônicos e-Tora, além de trazer a experiência de um cenário competitivo aos estudantes de faculdades públicas e particulares, também tem como objetivo a ajuda à comunidade, tendo que seu evento é em prol do SESC Mesa Brasil. Para se inscreverem no torneio os jogadores tiveram que, no ato da inscrição, colaborar com 1 litro de leite. Fora isso, a entrada para a final que será presencial será 1 kg de alimento não perecível e o dinheiro arrecadado com as vendas de comidas e bebidas durante o evento também será para doação. Um dos organizadores Caio “Ursim” Barbosa afirmou que o objetivo da iniciativa foi juntar a popularidade que os esports vem adquirindo, para suprir a necessidade de alguma instituição. No caso, escolheram a Mesa Brasil. Sobre a iniciativa do campeonato Ursim contou: “Gosto muito da iniciativa de campeonatos amadores, pois muitas pessoas desistem de jogar, porque acham que nunca teriam chance em uma equipe semi ou profissional. Assim eles têm a chance de mostrar seu valor e começar sua caminhada numa carreira competitiva.”

Oportunidades e dificuldades para entrar no meio competitivo

Os torneios amadores de esports estão cada vez ganhando mais credibilidade, força e reconhecimento. Isso porque, além de somar para o mercado de jogos, eles também ajudam diretamente aqueles que participam. Mas infelizmente esse processo demanda tempo e muito empenho. Em entrevista ao eSportsBR o jogador de Counter-Strike da Atlética Chimera (Engenharias da UNIC) Schumaker “Schumaker” Freddi nos contou sobre a dificuldade hoje de um atleta chegar ao competitivo: “Hoje existe muitos players bons, o competitivo está cada vez mais difícil de se destacar por falta de investimento no meu ponto de vista, por ser uma área teoricamente "nova", falta recursos para focar o tempo necessário e virar um pro player. Demanda tempo, e hoje, tempo é dinheiro, e infelizmente todos precisam trabalhar para se sustentar, com isso a vida de pro player fica apenas como um sonho.” Sobre os torneios amadores o jogador acrescentou: “Os torneios amadores são uma forma de começar a conhecer o competitivo, entender um pouco como funciona, e é uma forma de se preparar para as principais competições que muitos sonham a alcançar.”

Ao perguntar para o jogador sobre o efeito do esports na vida dele, ele nos contou: “O esport me ajudou a enxergar um lado diferente das coisas, não só no jogo mas no geral, por exemplo, ajudar o próximo, se por no lugar do outro, ajudar as pessoas, aprender a ouvir mais, dentre muitas outras coisas. Você aprende muito com o esports. Ele é um refugio para os problemas pessoais, quando eu entro no jogo, eu me divirto, eu esqueço do que acontece ao redor, é um hobby que vou levar pra vida toda, e sempre visando competitivo.”

Esports é o refúgio para muitos estudantes

Os torneios amadores, além de abrir janelas e visão competitiva aos muitos que encontram dificuldades para isso, também ajuda outros jogadores que usam do esport apenas como hobby e algo para aliviar o estresse. Como afirma o jogador Gabriel “Chants” Bertulucci de Dota 2 da Atlética Bucaneira (Engenharias da UFR): “Os esports de maneira geral têm me ajudado em várias situações, como um meio para aliviar o estresse, de interagir com os amigos ou criar um leque maior de amizade com players de outras faculdades e até mesmo cidades. Serve também para tentar escapar um pouco do desgaste mental que a faculdade, querendo ou não, nos traz, porque acabamos nos concentrando quase que 100% no jogo.”  

Muitos estudantes ficam sobrecarregados com as demandas da faculdade e com isso procuram de diversas formas para aliviarem todo o estresse gerado e se manterem firmes com a saúde mental em dia. Algo que, feito da forma correta, o jogos eletrônicos podem proporcionar e fazer com que muitos jogadores agarrem as iniciações também para melhoria da vida pessoal.