“SE QUISEREM SER TOP 1 DE VOLTA, TERÃO DE SER MELHORES DO QUE NA ERA SK/LG”, AFIRMA XAMP SOBRE MIBR

O analista examinou a participação da MiBR na Blast Pro Series São Paulo

“SE QUISEREM SER TOP 1 DE VOLTA, TERÃO DE SER MELHORES DO QUE NA ERA SK/LG”, AFIRMA XAMP SOBRE MIBR

Blast Pro Series

A Blast Pro Series São Paulo aconteceu no último fim de semana com a vitória da Astralis em cima da Team Liquid, no Ginásio do Ibirapuera. O campeonato estava envolto de expectativa dos brasileiros para ver a MiBR jogar, entretanto, a equipe tupiniquim apresentou um resultado lamentável diante de sua torcida.

 

Sem nenhuma vitória, os questionamentos sobre o que levou a esse resultado, e qual o futuro da equipe começam a ser levantados. Conversamos com o analista e comentarista de CSGO, Willian “Xamp” Caldas, sobre a performance dos brasileiros no campeonato.

 

Dominada pelos adversários na maioria dos rounds, a equipe não apresentou seu melhor estilo de jogo. “Na maioria dos jogos, a mibr pecou no lado terrorista, e o grande motivo foram os timmings de entrada, na maioria das vezes o time entrava e morria 2 pra um inimigo sem dar uma trade, daí, em desvantagem, com poucos segundos, que já é característico, não revertia o round.” - Apontou Xamp.

 

A Astralis, que possui o melhor map pool do cenário, jogou quatro vezes o mapa Dust2, dos cinco jogos da fase de pontuação. Já a MiBR jogou duas vezes na Train, e uma vez na Overpass, Nuke e Dust2. Indagamos ao analista sobre qual formato de confrontos mais efetivo, o que se joga o mesmo mapa várias vezes, ou o que é disputado um mapa diferente a cada adversário. - “Equipes desse porte possuem um map pool muito vasto, com certeza esses 4 mapas jogados a mibr tem muita segurança, além do fato de não fornecer nenhum material de um dia pro outro pra algum adversário, repetindo mapa. A Astralis é um caso específico, eles são excelentes em tudo, o que sobrar eles tem ratings acima de 85%.”

 

Nos jogos contra ENCE e NIP os brasileiros tiveram a decisão final de mapa a ser jogado, nessas duas situações a MiBR optou por jogar o mapa de maior win rate do adversário. Contra a Liquid os brasileiros não vetaram a Dust2, segundo melhor mapa da equipe americana atualmente. “A train é um mapa muito jogado pela equipe brasileira, acredito que isso acontece porque o Fallen gosta muito e eles confiam bastante no Taco no solo B. Contra a ENCE, o problema não foi CT, o time foi bem, só que o jogo virou muito mal, 13-2, basicamente irreversível. O CT da ENCE é muito sólido, não deu brechas pro fraco TR brasileiro. Depois que o resultado acontece, fica fácil julgar, mas acredito que em uma Overpass a história poderia ter sido diferente.

Contra a Liquid, eu achei uma péssima decisão deixarem a Dust2 em aberto, deveriam ter deixado Overpass e Nuke. Pra mim a D2 é uma mapa mais correria, jogo de respawn e encurtadas de mira, é fácil anular um AWP na Dust 2 e foi o que aconteceu com o Fallen.

Contra a NiP, eles tinha feito 16-6 na Train no Major, recentemente, então a pick faz sentido, estavam confiantes.” - afirmou Xamp

 

MIBR x ENCE: MiBR escolheu entre Train e Overpass.

Train da ENCE - 90,9% de vitória em 11 mapas jogados

Overpass da ENCE -  50,0% de vitória em 6 mapas jogados

 

MiBR x Liquid: MiBR escolheu vetou Inferno no lugar da Dust2

Dust2 da Liquid - 85,7% de vitória em 7 mapas jogados

Inferno da Liquid - 25,0% de vitória em 4 mapas jogados

 

MiBR x NIP: MiBR escolheu entre Overpass e Train

Train da NIP - 62,5% de vitória em 8 mapas jogados

Overpass da NIP - 33,3% de vitória em 6 mapas jogados

 

“Dentro de campo” Xamp denotou o principal aspecto a ser trabalhado pela equipe. “Basicamente o lado terrorista. Se entrar nos bombs com mais eficiência, já está bom. Me lembro de um round contra a ENCE na B que o Fer estourou B cima, o sergej matou ele, se reposicionou e voltou a mirar cima, foram uns 5 segundos pro Taco entrar atrás, totalmente atrasado, daí o Taco também morreu. Culpa do Taco? Não necessariamente, talvez o fer tenha ido rápido demais, e o Taco sem respawn, não conseguiu acompanhar.

 

A respeito da Era Astralis, Willian declarou acreditar na hegemonia dos dinamarqueses em 2019 - “Até este campeonato da Blast em Sampa eu estava bem confiante na reviravolta brasileira, mas os dinamarqueses mostraram que o buraco é mais embaixo. Acredito que pelo menos até o próximo Major, em Berlim, agosto de 2019, eles vão dominar a cena, com ENCE, Liquid, e NaVi beliscando por fora. Espero que a mibr consiga evoluir a cada campeonato, e acredito que mesmo atingindo o auge de 2017, a Astralis ainda estaria bem à frente, esse time é desumano. A Blast foi um verdadeiro balde de água fria e, se quiserem ser top 1 de volta, terão de ser melhores do que na era SK/LG.”

 

Outros fatores também podem ter influenciado drasticamente o resultado da MiBR na Blast. Em menos de dois meses os brasileiros disputaram o IEM Katowice Major 2019, na Polônia, a WESG 2018, na China, e a Blast Pro Series São Paulo, no Brasil. Com viagens longas e constantes a equipe pode ter sofrido com o rendimento em treinos. O jogador Marcelo “coldzera” David comentou sobre os resultados ainda no primeiro dia do torneio: “Sinto que entramos com um nervosismo absurdo e muitos erros individuais. Táticas sendo esquecidas e executadas errada, rounds que não devíamos perder com vantagem! CS em alto nível é isso: errou e custa caro! Realmente desapontado por perder hj.”

 

Apesar de serem atletas muito experientes, o time também apresentou certo nervosismo ao jogar diante da torcida. “O sentimento que fica é que não merecemos todo o suporte que recebemos aqui no Brasil” - afirmou Epitácio “TACO” de Melo em entrevista ao portal Versus.

 

Saindo de São Paulo, a MiBR retornará à China para disputar o  StarSeries i-League Season 7, nos dias 30 de março a 07 de abril. Em seguida eles voltam ao ocidente para jogar a Blast Pro Series Miami, nos dias 12 e 13 de abril.

 

Trajetória da MiBR nos últimos 4 meses: Brasil (Férias) > Espanha (Bootcamp no Movistar Riders) > Katowice (Polônia - Major) >  Chongqing (China - WESG) > São Paulo (Brasil - Blast) > Shanghai (China - StarSeries).

 

“Acredito que ENCE, Faze e NaVi estão um passo à frente da equipe brasileira. O tempo é curto, não dá pra consertar todos os erros, mas pelo menos eles poderão 'resetar' a mente e entrar com foco total, com certeza o fato de estarem no Brasil deu uma pesada, atenção pra família, amigos e fãs, evento gritando o nome deles fez a diferença, pelo que senti, um pouco pro lado negativo, na China será outro ambiente. Acredito que semifinal estaria de bom tamanho.” - Completou Willian “Xamp” Caldas