O FIM DO CS BRASILEIRO

Como os atuais resultados da principal equipe brasileira de CS:GO, MIBR, afetam o cenário nacional.

O FIM DO CS BRASILEIRO

Divulgação/MiBR

O CS brasileiro já esteve no TOP 1 do mundo (SK/LG), segundo ranking da HLTV, durante muito tempo, mas atualmente ocupa apenas o TOP 8 com a MiBR.

 

A equipe liderada por Gabriel “Fallen” Toledo vem sendo alvo de críticas desde o ano passado, quando ainda defendia as cores da SK e tinha na equipe os americanos Jake “Stewie2K” Yip´s e Tarik “tarik” Celik. Com resultados ruins e sem ter vencido nenhum campeonato de expressão em 2018, boa parte da torcida brasileira começou a questionar se estaria chegando ao fim a mais vencedora das lines tupiniquins do cenário.

 

Praticamente no final da temporada competitiva de 2018, a torcida foi surpreendida com uma notícia que inflamou seus corações de esperança: o resurgimento de uma equipe 100% brasileira dentro de uma das TAGS mais lendárias do CS brasileiro. Fallen e sua equipe optaram por trazer de volta nomes que, antes criticados por parte da torcida, agora eram aclamados pela massa. Epitacio “TACO” de Melo, João “felps” Vasconcellos e o coach Wilton “zews” Prado.

 

Porém os primeiros resultados em 2019 deram um banho de água fria nos fãs que assistiram a equipe brasileira ser derrotada pela Astralis, TOP 1 do mundo, no Major IEM Katowice 2019, pela Windigo na WESG  2018/2019 na China e um vexatório 0-5 na BLAST Pro Series em casa (São Paulo). Com muita pressão nas costas, a equipe retornou à China para disputar o StarSeries i-League Season 7, onde, novamente, não conseguiu atingir o patamar esperado e acabou sendo eliminada ainda na primeira fase após perder para a North nesta terça (02).

 

(Foto por: Divulgação BLAST Pro Series)

Muitos torcedores já jogaram a toalha e passaram a ver a MiBR como uma equipe fadada ao fracasso, mas o fato é que isso está longe de ser verdade. Para entender melhor o que eu quero dizer, é preciso voltar para o ano de 2016, quando a equipe da Luminosity Gaming resolveu juntar ao seu time dois jogadores desconhecidos no CS mundial, mas que estavam tendo bons resultados no cenário nacional. A famosa dupla "TACOLD", formada por TACO e o lendário Marcelo “coldzera” David, agora se juntava a Fallen, Fernando "fer" Alvarenga e o inesquecível Lincoln "fnx" Lau.

 

Após a surpreendente e merecida vitória no MGL Major Championship: Columbus 2016 a equipe repetiu a dose e venceu também o Major da ESL One em Cologne, já jogando com a TAG SK Gaming, tornando-se a equipe mais temida no cenário, principalmente na grande serie de vitórias no mapa da Train onde eles eram imbatíveis. Mesmo sem conquistar nenhum Major em 2017 a equipe, agora com felps no lugar do fnx, ganhou inúmeros campeonatos estando muito perto de levar o titulo do Intel Grand Slam, que só fora vencido pela Astralis em 2018. E é exatamente nesse ponto que eu queria chegar.

 

Durante dois anos a equipe brasileira foi sinônimo de CS bonito, quase perfeito, atropelando os adversários campeonato após campeonato e isso fez com que eles se tornassem o “time a ser batido”. A maioria das grandes equipes começou a estudar tudo o que os brasileiros faziam. Táticas, avanços, smokes, posicionamentos. Era comum ver durante o ano de 2017 os jogadores adversários falando em “como eles estavam estudando o time brasileiro”.

 

Por mais que você crie novas estratégias e jogadas, o CS:GO conta sempre com os mesmos mapas e não se torna difícil aprender o que seus adversários estão fazendo, basta estuda-los. Para fugir disso você precisa estar em constante mudança, evolução e talvez esse tenha sido um dos erros da equipe brasileira. Durante um bom tempo Fallen se dividiu entre as tarefas de Awper, IGL e coach, o que acabou tornado difícil trazer “novidades” para o campo de batalha. Lembro-me de uma entrevista em que o próprio Fallen disse, após uma derrota na Overpass para a Astralis, “o device me dominou hoje, parece que ele sabia exatamente tudo que eu iria fazer”.

 

É claro que as outras equipes se dedicaram a estudar o time brasileiro, e que ninguém me entenda mal, não estou dizendo que nós não estudamos as outras equipes. Pelo contrário, teve estudo e dedicação, mas talvez não o suficiente. Talvez tenhamos tentando criar e criar ao invés de aprender e entender como nossos adversários jogavam. Tentar minimizar suas qualidades e atacar suas fraquezas. Talvez tenhamos olhado apenas “para o nosso umbigo” e não tenhamos dado a atenção que nossos adversários necessitavam. Enfim, erramos tentando nos manter no topo. Erramos tentando acertar.

 

Esse início de 2019 tem contando com inúmeras competições nos quatro cantos do mundo e o excesso de viagens está se tornando um inimigo poderoso para muitas equipes. Para se ter uma ideia em menos de 15 dias a MiBR foi da Europa até a China, veio ao Brasil, retornou China e agora está rumo aos Estado Unidos para disputar a Blast Pro Series Miami. Pode ser que estejamos pecando pelo o excesso e isso tem nos custado caro nesse começo de ano.

 

O cenário de CS é muito injusto com quem já esteve no topo e hoje sofre com derrotas. NiP, Virtus.Pro, Fnatic e tantas outras equipes passaram por isso recentemente. O que me deixa com esperanças é ver a atitude da torcida após as derrotas na BLAST de São Paulo. É ver no rosto dos nossos players o quanto eles estão incomodados com essa situação. É ver o “sangue nos olhos”, a paixão pela sua torcida.

 

O CS brasileiro está longe do fim! Ele só tende a crescer cada vez mais nos próximos anos e já conta com bons times, como por exemplo LG, Team One, INTZ e, é claro, a excelente equipe da FURIA Esports,  que tem obtido ótimos resultados em seus últimas competições.

 

(Foto por: Divulgação ESL)

 

Não importa o esporte, o torcedor brasileiro é movido por paixão e muitas vezes por impaciência, mas a verdade é que sempre que alguém veste nossas cores e as leva para o mundo a gente grita, torce e apoia, acredita até o último instante. Porque somos assim, brasileiros, e o esporte é o nosso combustível.

Ezequiel Covatti é colunista do eSports Brasil, acompanhe-o no Instagram.

Revisão: Diogo Oliveira