EUA CONHEÇA GIKKO, O PRIMEIRO BRASILEIRO A GANHAR UMA BOLSA PARA JOGAR LOL NOS EUA

Após encontrar a “oportunidade de ouro”, Giordano Pereira passou no processo seletivo e hoje integra o time de League of Legends da Missouri Valley College

EUA CONHEÇA GIKKO, O PRIMEIRO BRASILEIRO A GANHAR UMA BOLSA PARA JOGAR LOL NOS EUA

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Após encontrar a “oportunidade de ouro”, Giordano Pereira passou no processo seletivo e hoje integra o time de League of Legends da Missouri Valley College.

O que pode parecer um sonho de muitos jovens brasileiros se tornou realidade para Giordano Pereira. Aos 20 anos de idade, o gaúcho se tornou o primeiro brasileiro a conseguir uma bolsa de estudos nos Estados Unidos graças aos eSports. Ele irá cursar Intercultural Studies na Missouri Valley College, além de integrar a equipe de League of Legends da universidade. Nós, da eSports Brasil, entrevistamos Gikko para saber um pouco mais sobre este marco!  

 

Com grande influência de games em toda sua vida (além do apoio dos pais, ele é irmão de César “LegolaS” Pereira, jogador profissional de Hearthstone), Giordano conheceu o LoL aos 12 anos de idade. Aos 15, viu seu amigo Martin “Espeon” Gonçalves ganhar o CBLOL com a paiN Gaming, fator que o motivou a se dedicar ao jogo. De lá para cá, foram cinco anos de diversão e dedicação ao MOBA, com direito a participação nas categorias de base da CNB e um troféu de primeiro lugar em um campeonato presencial em Curitiba, que rendeu ao atleta uma premiação de R$ 10 mil em 2017.

 

OPORTUNIDADE DOS SONHOS

 

Gikko descobriu o programa de intercâmbio promovido pela agência MVP Exchenge por meio de uma postagem no Facebook. Em um primeiro momento, ele achou estranho nenhum usuário ter dado a devida atenção à publicação, que não tinha nenhum comentário. Ao ir atrás das informações, percebeu que a oportunidade era real e começou a se articular para conseguir a vaga.

 

Após um longo processo seletivo, com direito a entrevista via Skype com o técnico da equipe e prova de proficiência em inglês, o brasileiro foi aprovado para integrar a equipe e cursar Intercultural Studies, que se assemelha à graduação de Relações Internacionais no Brasil. “Acredito que ‘Estudos interculturais’ combina muito com a minha pessoa e com o que eu vim fazer aqui nos EUA, bateu perfeitamente”, conta.

 

INVESTIMENTO NO E-SPORTS

 

A prática de conceder bolsas universitárias para atletas, incluindo estrangeiros, é comum nos Estados Unidos. Com a ascensão dos eSports nos últimos anos, o país vem investindo pesado na modalidade. Em 2016, foi criada a National Association of Collegiate Esports (NACE), que deu bastante força aos esportes digitais dentro das faculdades. Atualmente, a associação reúne cerca de 80 instituições de Ensino Superior, com mais de 1,5 mil atletas e US$ 9 milhões em bolsas e auxílio financeiro para jogadores em todo o país.

Perguntado sobre as projeções do cenário de eSports no Brasil, Giordano acredita que estamos no caminho certo: “Vai continuar crescendo com a entrada de times de futebol e investimentos gigantescos até na base (tier3), como vemos pela Havan, RDP, paiN.”



SERVINDO DE INSPIRAÇÃO

 

Gikko decidiu criar uma espécie de diário sobre sua experiência como jogador de eSports nos EUA. Ele faz vlogs em seu canal do YouTube, documentando desde curiosidades sobre sua chegada e primeiras impressões do país, até detalhes sobre o funcionamento das ligas universitárias de eSports. “Desde que eu soube que realmente estava vindo pra cá, vi isso como uma oportunidade pra criar o conteúdo que sempre quis, ao mesmo tempo em que sabia que era meu dever, seria totalmente egoísta da minha parte ter essa chance e não compartilhar minha experiência com todos os brasileiros que se interessam pelo assunto”, revela.

 

Confira abaixo nossa entrevista na íntegra com Gikko:

 

- Já deu tempo de sentir saudade do arroz com feijão?

- Bahhh, tu não faz ideia! Uma vez, na cafeteria, eles tinham arroz e feijão no cardápio, provei e foi só decepção, não tem igual.

 

- Ser o primeiro brasileiro aceito para estudar nos EUA com uma bolsa de eSports representa uma conquista e tanto. Qual foi a sua reação quando recebeu o "sim"? Quando a ficha realmente caiu?

- Minha reação foi mais normal do que parece, eu estava animado, mas cético, até o momento que pisei aqui na universidade. Acho que a ficha não caiu por completo até agora e já faz duas semanas que tô aqui. Eu fiquei três meses sem jogar LoL e, quando cheguei, pude voltar a me dedicar. Fiquei muito feliz, voltar a me empenhar, sim, me deixou muito animado, ainda mais com a estrutura que temos aqui.

 

- Como foi o processo de escolha do curso? "Intercultural Studies" já era algo que você cogitava estudar ou você aceitou a oportunidade mais focado no LoL e escolheu qualquer opção?

- Eu cogitei várias vezes no Brasil fazer Relações Internacionais, por mais que tenha começado a fazer Administração. Acredito que "Estudos interculturais" combina muito com a minha pessoa e com o que eu vim fazer aqui nos EUA, bateu perfeitamente.

 

- Seu irmão também participa de cenário competitivo de games. Vocês tiveram muito apoio da família de vocês quando pequenos? Será que ambos se destacarem, você no LoL e ele no Hearthstone, é só uma coincidência ou sua família tem algum gene especial?

- Acredito que não seja coincidência nem gene, é só a liberdade de criação que meus pais deram. Meu irmão jogava muito a vida toda e eu assistia durante toda minha infância também, eles nunca bloquearam a gente de nada. O único porém era que queriam que a gente continuasse estudando. Meu irmão, por exemplo, nunca viveu só do jogo, sempre trabalhou com meu pai e estudou na faculdade, tudo junto.

 

- Eu sei que você chegou há pouco tempo, mas quais as principais diferenças que já te chocaram na chegada à faculdade?

- Olha, a principal é eu não ter que me preocupar muito com horário nem com a bateria do meu celular, por exemplo. Eu tenho estudos, treino, comida e dormitório, tudo em um lugar e é tudo muito seguro, minhas preocupações foram minimizadas. O sentimento é muito bom mesmo.

 

- Nas universidades, é comum ter algumas rixas entre os atletas de diferentes esportes. Nos eSports também rola isso? A treta LoL X Dota, LoL X Overwatch...

- (risos) Aqui não tem time de Dota ainda, mas contra o pessoal do OW até que tem uma amizade com rixa. Eu e meu top laner estávamos marcando de fazer uma melhor de três com outros dois caras do OW. Um jogo de LoL, um jogo de OW e um jogo de Rocket League pro desempate, o duo que ganhar são os melhores atletas.

 

- Você começou a subir vídeos no seu canal do YouTube, uma espécie de diário de toda essa loucura que está vivendo. Da onde veio essa ideia? Você tem noção de quantas pessoas você pode atingir e inspirar?

- Desde que eu soube que realmente estava vindo pra cá, vi isso como uma oportunidade pra criar o conteúdo que sempre quis, ao mesmo tempo em que sabia que era meu dever, seria totalmente egoísta da minha parte ter essa chance e não compartilhar minha experiência com todos os brasileiros que se interessam pelo assunto e, quem sabe, queiram seguir os mesmos passos. Sei de muita gente que já está interessada e com certeza vai vir, talvez já no próximo semestre.

 

- O que você já conseguiu perceber da estrutura da liga universitária aí? A gente sabe que, no futebol americano, a NFL acompanha muito de perto a liga universitária. O draft universitário é até transmitido pela ESPN e os demais canais de esporte nos EUA. Já acontece algo parecido no cenário de eSports aí?

- Acontece, sim. Muitos jogadores da University of Toronto foram draftados pela academy, se não me engano. Tem outros exemplos, mas não sei de cabeça agora. Sei que o draft acontece e seria um sonho maior ainda conseguir alcançar isso, quem sabe. Sei que tô treinando para essa ser uma das possibilidades futuras.

 

- Além do LoL, tem algum outro jogo que tu curta jogar for fun? Algum outro game com cenário competitivo que você acompanhe?

- Eu comecei jogando Dota, então amo o cenário. CS eu acompanho por cima, também quando tem algum major importante. Quando meu irmão joga, acompanho Hearthstone também, jogando for fun eu até me arrisco no Fortnite, mas sou péssimo. Um jogo que nunca vai me deixar também é MapleStory, faz parte da minha história esse MMO e sempre jogo uma vez por ano, ao menos, pra dar uma "nostalgizada".

 

- Qual sua perspectiva para os próximos anos do cenário dos eSports brasileiros?

- Vai continuar crescendo com a entrada de times de futebol e investimentos gigantescos até na base (tier3), como vemos pela Havan, RDP, paiN. Tá faltando vaga nas ligas e sobrando jogadores competentes. Acredito que no LoL falte maturidade e paixão pelo jogo, eu mesmo já deixei de treinar e focar no que eu amo por algumas coisas supérfluas. Acho que é isso que falta pro cenário BR do jogo alcançar posições de respeito em torneios internacionais. Nossa base de jogadores é muito nova, espero que, com os investimentos e visibilidade que estão por vir, os treinos e o CBLOL sejam levados mais a sério.